Sento-me em meio à clareira, a primavera traz ao ar o cheiro das flores espalhadas pelo campo. O som de minha respiração é abafado pelo farfalhar de folhas nas árvores ao redor. O vento uivante é frio enquanto minha cabeça fervilha e rodopia em diferentes planos, mantendo-se, porém, fixa ao resto de meu corpo inerte. Inércia talvez seja esta a lei na qual eu me mova.
Muda agonia se espalha em mim, corroendo meu coração como ácido. E novamente me pergunto: “Por quê?” E novamente não sei responder. Encho-me de certeza até a dúvida me consumir; creio intensamente, no entanto o ceticismo me toma. Falta-me o ar! A claridade daqueles dias me cega, me transformando em mero espectador de memórias. Saudade? Esperança? Como se denomina? A confusão envolve esse corpo púbere.
Uma maré tristonha provinda de uma dor antiga teima em me açoitar. Serei eu o culpado por ser crente em ti? Ou serás tu que me ludibriaste com a pureza em suas palavras, a certeza em suas falsas promessas, a paixão em seu toque.
Sem me conter, um grito escapa-me a garganta, rasgando meus pulmões, trasbordando minha alma. Pássaros fogem em sua balburdia musical ecoando agonia.
Silencio.
A carne sangra onde anteriormente minhas unhas estavam cravadas. A dor me traz de volta ao chão. Meu corpo recobre os movimentos e o clarão que, me ofuscava olhos, se dissipa. “Não há saída é preciso se colocar em pé!” Inconscientemente me sinto levantar, obedecendo ao comando imaginário. Como todo bom ser civilizado empurro toda a dor para o fundo de meu âmago e uma, finalmente, incontestável decisão se faz em palavras: “Não desista! Siga em frente!”
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