Lá se vai. Vai com minhas expectativas e esperanças, alegrias e sonhos. Ela que leva meu brilho, carrega também o fardo de minha dor, minhas angustias e pensamentos tão obscuros que os escondia de mim mesmo.
Daqui de cima vejo-a tão bela e faceira, seu vestido branco a rodopiar na relva enquanto seus cabelos brincam no ar. E os olhos! Ah, os olhos! Em cores vivas e penetrantes! Bela flor que pensa ser mulher, mas traz consigo a maturidade de uma criança, a certeza de um adolescente e a sensatez de um maluco.
Embriaga-me em sua pureza vil, seu caráter há muito esquecido, move seus passos, move-me contigo. Leva-me as nuvens só para ter o prazer de me ver cair, faz-me novo só para então descartar-me. Ela que se entrega a mim para depois roubar-me o sono, invadindo as imagens que chamo de pesadelos. Pesadelos horríveis onde me deleito no prazer de seus toques, no sabor de seus beijos, na fingida paixão em seus olhos. Ah seus olhos! Ah suas cores!
Ah moça, sua revelação esta breve! Descobrirão as manhas por trás de seus sorrisos, a crueldade no balançar de seu vestido, a imaturidade em seus olhos. E esses olhos, que me perseguem e me fitam mesmo quando os meus estão fechados!
Como pude eu ser tão tolo em crer-te, confidenciar-te minha forma de felicidade? Ah devem ser os olhos! Como podes linda menina ser tão dissimulada e perversa em sua mais charmosa delicadeza, dilacerar-me em teu sorriso mais brando quando pronuncias o meu nome?
Não importa, será desmascarada garota! A estátua de mármore que lhe esculpi agora se despedaça em migalhas, poeira branca pelo ar! E em cada pedaço descubro um pouco mais de ti e consequentemente de mim. A destruição começa e seu cheiro queima minhas narinas, esse cheiro podre de primavera!
Seu fim se aproxima, eu sinto. Já posso sentir meu coração bater mais calmo, lágrimas não sujam o meu rosto e eu sou mais forte agora! Estas se acabando a paz me encontrará! É luz o que vejo no fim da estrada, a felicidade estará a minha espera! E seus olhos!? Aah eles não me incomodarão nunca mais! Serão como brisa num dia quente de verão, despercebidos e saudosos!

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